Autora: Denise Maria Antonio Pós graduada em Educação em Direitos Humanos.
O Natal, tradicionalmente associado à solidariedade, ao encontro familiar e à reflexão sobre valores humanos, tem sido cada vez mais marcado pelo consumismo exagerado. A lógica do mercado transforma a data em um grande espetáculo de compras, no qual a felicidade parece estar diretamente vinculada à quantidade e ao valor dos presentes adquiridos. Propagandas intensivas, promoções agressivas e apelos emocionais reforçam a ideia de que amar é comprar, deslocando o sentido simbólico do Natal para uma prática essencialmente material.
Esse consumo exacerbado gera impactos significativos. No plano social, aprofunda desigualdades, pois muitas famílias se endividam para corresponder às expectativas impostas pelo padrão de consumo natalino. No plano ambiental, o aumento da produção e do descarte de embalagens, brinquedos e produtos eletrônicos contribui para o agravamento dos problemas ecológicos. Além disso, o imediatismo das trocas mercadológicas tende a esvaziar experiências mais duradouras, como o diálogo, o cuidado e a convivência.
Diante desse cenário, torna-se necessário resgatar o sentido original do Natal, valorizando gestos simples e relações humanas em detrimento do acúmulo de bens. Repensar o consumismo natalino não significa negar a troca de presentes, mas questionar seus excessos e recolocar no centro da celebração valores como empatia, partilha e responsabilidade social. Dessa forma, o Natal pode voltar a ser um tempo de reflexão e humanidade, e não apenas de consumo.
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