Autora: Denise Maria Antonio
Licenciada em Ciências Sociais e Pedagogia. Pós graduada em Educação em Direitos Humanos.
A construção
de hábitos saudáveis durante a infância constitui uma responsabilidade
compartilhada entre diferentes contextos de convivência da criança,
especialmente a família e a escola. Embora cada instituição desempenhe funções
específicas, ambas exercem influência significativa na organização da rotina
infantil e na formação de hábitos relacionados ao brincar, às interações
sociais e ao uso das tecnologias digitais.
A família
ocupa um papel importante na organização da rotina doméstica, estabelecendo
horários, limites e oportunidades para diferentes experiências cotidianas.
Nesse contexto, os adultos também funcionam como referências para as crianças,
uma vez que seus próprios comportamentos em relação ao uso de celulares,
televisores, computadores e outros dispositivos podem influenciar os hábitos
infantis. A escola, por sua vez, constitui um espaço privilegiado para a
promoção de experiências pedagógicas que valorizem o movimento, a interação, a
criatividade, a convivência e o brincar.
A
articulação entre família e escola é, portanto, fundamental para que a criança
receba orientações coerentes e tenha oportunidades de vivenciar uma rotina
equilibrada. O diálogo entre esses dois espaços pode ocorrer por meio de
reuniões, encontros com as famílias, projetos pedagógicos, orientações e
atividades que abordem a importância do brincar e os possíveis impactos do uso
excessivo das telas. Essa parceria possibilita também a construção conjunta de
estratégias que possam ser incorporadas à realidade de cada criança.
Entretanto,
é necessário considerar que as famílias apresentam diferentes condições
sociais, econômicas, culturais e estruturais. Nem todas possuem o mesmo espaço
físico, disponibilidade de tempo, acesso a brinquedos ou possibilidade de
realizar atividades externas. Dessa forma, a escola deve adotar uma postura
acolhedora e não culpabilizadora, compreendendo as particularidades de cada
contexto familiar e buscando alternativas acessíveis para promover experiências
de brincadeira e interação.
Nesse
sentido, uma abordagem educativa e positiva pode ser mais efetiva do que a
simples proibição do uso das tecnologias. Em vez de estabelecer apenas regras
como “não use o celular”, família e escola podem incentivar a criação de
momentos específicos destinados à brincadeira, à leitura, às atividades
artísticas, aos jogos tradicionais e às experiências ao ar livre. Também podem
ser utilizadas estratégias simples, como a organização de uma caixa de
brinquedos e jogos, a realização de brincadeiras em família ou a definição de
períodos do dia destinados a atividades sem dispositivos eletrônicos.
A construção
de uma rotina equilibrada, portanto, não significa excluir a tecnologia do
cotidiano infantil, mas promover uma relação mais consciente e adequada com
esses recursos. Cabe à família e à escola criar condições para que as crianças
tenham acesso a diferentes formas de aprender, brincar, interagir e
expressar-se, garantindo que as experiências digitais convivam de maneira
equilibrada com atividades que favoreçam o desenvolvimento cognitivo, motor,
social, emocional e criativo.
Dessa
maneira, a parceria entre família e escola torna-se essencial para a promoção
de uma infância que valorize o brincar como experiência de aprendizagem,
convivência e desenvolvimento. Mais do que estabelecer proibições, é necessário
oferecer alternativas significativas, acessíveis e prazerosas que permitam à
criança descobrir que também é possível aprender, criar e se divertir para além
das telas.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base
Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.
KISHIMOTO,
Tizuko Morchida. Jogo,
brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2011.
PIAGET,
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Rio de Janeiro: Zahar, 1971.
VYGOTSKY,
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WINNICOTT,
Donald W. O
brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
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