domingo, 20 de setembro de 2026

FAMÍLIA E ESCOLA NA PROMOÇÃO DE UMA ROTINA EQUILIBRADA

 

Autora: Denise Maria Antonio

Licenciada em Ciências Sociais e Pedagogia. Pós graduada em Educação em Direitos Humanos.


A construção de hábitos saudáveis durante a infância constitui uma responsabilidade compartilhada entre diferentes contextos de convivência da criança, especialmente a família e a escola. Embora cada instituição desempenhe funções específicas, ambas exercem influência significativa na organização da rotina infantil e na formação de hábitos relacionados ao brincar, às interações sociais e ao uso das tecnologias digitais.

A família ocupa um papel importante na organização da rotina doméstica, estabelecendo horários, limites e oportunidades para diferentes experiências cotidianas. Nesse contexto, os adultos também funcionam como referências para as crianças, uma vez que seus próprios comportamentos em relação ao uso de celulares, televisores, computadores e outros dispositivos podem influenciar os hábitos infantis. A escola, por sua vez, constitui um espaço privilegiado para a promoção de experiências pedagógicas que valorizem o movimento, a interação, a criatividade, a convivência e o brincar.

A articulação entre família e escola é, portanto, fundamental para que a criança receba orientações coerentes e tenha oportunidades de vivenciar uma rotina equilibrada. O diálogo entre esses dois espaços pode ocorrer por meio de reuniões, encontros com as famílias, projetos pedagógicos, orientações e atividades que abordem a importância do brincar e os possíveis impactos do uso excessivo das telas. Essa parceria possibilita também a construção conjunta de estratégias que possam ser incorporadas à realidade de cada criança.

Entretanto, é necessário considerar que as famílias apresentam diferentes condições sociais, econômicas, culturais e estruturais. Nem todas possuem o mesmo espaço físico, disponibilidade de tempo, acesso a brinquedos ou possibilidade de realizar atividades externas. Dessa forma, a escola deve adotar uma postura acolhedora e não culpabilizadora, compreendendo as particularidades de cada contexto familiar e buscando alternativas acessíveis para promover experiências de brincadeira e interação.

Nesse sentido, uma abordagem educativa e positiva pode ser mais efetiva do que a simples proibição do uso das tecnologias. Em vez de estabelecer apenas regras como “não use o celular”, família e escola podem incentivar a criação de momentos específicos destinados à brincadeira, à leitura, às atividades artísticas, aos jogos tradicionais e às experiências ao ar livre. Também podem ser utilizadas estratégias simples, como a organização de uma caixa de brinquedos e jogos, a realização de brincadeiras em família ou a definição de períodos do dia destinados a atividades sem dispositivos eletrônicos.

A construção de uma rotina equilibrada, portanto, não significa excluir a tecnologia do cotidiano infantil, mas promover uma relação mais consciente e adequada com esses recursos. Cabe à família e à escola criar condições para que as crianças tenham acesso a diferentes formas de aprender, brincar, interagir e expressar-se, garantindo que as experiências digitais convivam de maneira equilibrada com atividades que favoreçam o desenvolvimento cognitivo, motor, social, emocional e criativo.

Dessa maneira, a parceria entre família e escola torna-se essencial para a promoção de uma infância que valorize o brincar como experiência de aprendizagem, convivência e desenvolvimento. Mais do que estabelecer proibições, é necessário oferecer alternativas significativas, acessíveis e prazerosas que permitam à criança descobrir que também é possível aprender, criar e se divertir para além das telas.


 

Referências 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2011.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.

VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

WINNICOTT, Donald W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.


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